Um dos melhores texto que eu já li!

junho 20, 2007 at 2:55 pm 4 comentários

Pois é, essa leitura foi prazer. Um texto sucinto, belo, forte, firme, contudente, lindo, inteligente…. tudo de bom, não tenho mais adjetivos. ah, ele é atual. A autora dele é doutora, mas é um texto sem academicismo, um texto simples, assusta algumas palavras não tão usuais, mas é só o começo!
Se soubesse que o texto era tudo isso já tinha lido, li hoje! E to feliz da vida. O texto é o que eu queria dizer e de certo modo disse! E ele foi tão perfeita. O texto chegou me arrepiar, mto bem escrito!
Liliam
Boa leitura
Eu não vou pedir para repassarem, se quiserem, é um bom texto, diferentes daquelas m* que de vez em quando leio
Que Propaganda
Beijus

Velhas teses, novas estratégias

Sueli Carneiro
Doutora em filosofia da educação pela USP, é diretora do Instituto da Mulher Negra(Geledés)

Como o Brasil é uma persistente promessa postergada de futuro, preferimos ir de volta ao passado, pois as novas interpretações da vida e do mundo são o retorno a velhas teses que forjaram os mitos que somos, outra vez,convidados a cultuar em detrimento da realidade social. A novidade do momento é que raça não existe.

A constatação óbvia é repetida em certos veículos de comunicação como se a genética brasileira tivesse realizado um feito semelhante ao da descoberta da pólvora. Quando foi que raça existiu, a não ser como instrumento de exploração dos povos não-brancos que teve no racismo científico sua
legitimação como doutrina teórica? Seria bizarro, não fossem as repercussões desse falso debate.

Com a ajuda da ciência derretem-se as negritudes biológicas para decretar não a morte da raça sociológica e sim das políticas de eliminação das desigualdades sociais fundadas na rejeição à raça ou à cor dos indivíduos. É o resultado político que parece ser buscado com a investigação da ascendência genética dos negros. Veja-se o caso dos gêmeos Alex e Alan, submetidos a perversa, e constrangedora exposição, sendo usados por meio da
generalização de seu caso particular e peculiar para atacar a política exitosa da UnB de inclusão da diversidade racial.

Quando combatemos o conceito de raça de costas para a história de desigualdade que ela produziu e permanece reproduzindo, estamos no mesmo paradigma imposto pelo racismo, na medida em que a negação da realidade social das raças hoje coopera para a permanência das desigualdades que ela engendra como construto social e cultural.

É por isso que, fora dos laboratórios dos cientistas, a vida segue como ela é. Uma mulher negra aprovada em primeiro lugar para trabalhar como atendente comercial no último concurso dos Correios, na região do ABC paulista,recebeu da gerente da agência em que fazia treinamento alguns conselhos.
Disse a chefe que os Correios pedem que os funcionários do atendimento apresentem boa aparência para transmitir segurança aos clientes , quando vão postar suas cartas e encomendas.

O foco em questão era o cabelo de Mara, com dreads, chegando a gerente a propor fossem cortados; que se Mara fosse carteira ou operadora de triagem,não teria problemas com a aparência. E ainda fez uma série de perguntas do tipo por que você usa o cabelo assim? Como lava? , afirmando em seguida: Eu
também tenho um pé na senzala .

Se fosse uma negra famosa, Mara teria sido convidada a submeter-se a um teste de DNA que provavelmente comprovaria que ela tem em torno de 40,8% de ascendência européia, assim como Daiane dos Santos. O problema está em conseguir convencer o empregador dessa branquitude presente e latente em seu DNA que não foi capaz de escorrer seus cabelos.

Talvez uma contribuição concreta que geneticistas poderiam dar nesses casos fosse seus institutos ofertarem um certificado de ascendência européia a todos os que parecem negros mas, segundo a genética, não são. Poderia ser uma espécie de crachá no qual viriam descritas as porções, sobretudo a européia, de cada um de nós, a ser apresentado junto com os demais
documentos exigidos nos processos de seleção das empresas ou nas revistaspolicias e demais situações sociais em que, por engano, sejamos tratados como negros.

Isso talvez tivesse evitado, por exemplo, a humilhação sofrida por Daiane
dos Santos com a piada divulgada por certa atriz, na qual ela era chamada de macaca, ou as vezes em que o cantor Djavan foi parado pela polícia em São Paulo com seus 30,1% de europeidade no DNA.

Conhecido geógrafo, aguerrido combatente contra as cotas raciais e o Estatuto da Igualdade Racial, em entrevista a um jornal de São Paulo, disse:
É importante que o Brasil mostre para o mundo que é um país de miscigenação um país que não é uma democracia racial, mas quer ser . O Fashion Rio acaba de dar ao mundo um exemplo dessa democracia racial que se quer . O inglês Michael Roberts, que estava fotografando o Fashion Rio para a revista Vanity
Fair, considerou uma vergonha não encontrar negras desfilando. Estou surpreso (…) Negros são fantásticos, assim como índios e orientais. O Brasil deveria aproveitar sua diversidade.

Segundo a imprensa, Felipe Velloso, responsável pela escolha de modelos, explicou que adoraria ter negras na passarela, mas há poucas na profissão.Veja a TV: você não vê negros em comerciais de pasta de dente . Como se vê, como raça não existe, os negros desapareceram da paisagem (ou melhor, das
passarelas) e, de roldão, foram consigo orientais e índios. Deu branco!

publicado no jornal Correio Braziliense em 13/6/2007

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EU

4 Comentários Add your own

  • 1. Evandro Ferreira  |  junho 21, 2007 às 7:58 pm

    Infelismente o negro brasileiro vive em uma descrenca muito grande eles nao acreditao no proprio poder como ser humano, se deixam levar por opinioes dos outros. Nao tem no sangue aquela chama em defender os seus interesses os seus ideais ficam esperando os outros decidirem por eles coisas que e do seu interesse. Eu fico envergonhado em ter que cobrar acao e participacao do negro em todos os setores da vida em comunidade, por uma coisa que deveria ser comum. Relamente e muito triste mas nao podemos desistir temos que estimular as pessoas a questionar, a ser pessoas consientes do seu papel como cidadao brasileiro responsavel pelo que nos vivemos hoje…
    NAO PODEMOS DEIXAR QUE OUTRO DECIDAM POR NOS.
    “AGIR LOACLMENTE, PENSAR GLOBALMENTE”.

    Responder
  • 2. leticia  |  outubro 28, 2009 às 10:20 pm

    Nem li e nem pretendo acha outro otário vei (L)

    Responder
    • 3. leticia  |  outubro 28, 2009 às 10:20 pm

      kkkkkk

      Responder
  • 4. leticia  |  outubro 28, 2009 às 10:22 pm

    brincadeira desculpeme Beijos(L)(B)

    Responder

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