Cotas na Universidade Federal do Maranhão

janeiro 3, 2007 at 3:58 pm 7 comentários


 

 

Até que fim a Universidade Federal do Maranhão(UFMA) decidiu adotar o sistema de cotas para alunos egressos da escola pública, negros e indígenas já para o seletivo de 2007. Decisão essa tomada depois de mais de vinte instituições públicas de ensino superior terem aderido a esse mecanismo, como as principais: a Universidade de São Paulo (USP), as Universidades Estadual e Federal do Rio de Janeiro (UERJ e UFRJ) e a Universidade de Brasília (UnB); as federais: da Paraíba (UFPB), Pará (UFPA), Bahia (UFBA) e as estaduais Mato Grosso do Sul (UEMS) e Minas Gerais (UEMG) dentre outras. Só para citar e lembrar o quanto o Maranhão e as suas Universidades estão na Vanguarda, talvez no Atraso da Vanguarda ou na Vanguarda do Atraso!

 

Com o mapa acima, o diagnóstico é obvio: as cotas já foram efetivadas. O tema é polêmico, ainda mais no que se refere a reserva de vagas para negros no ensino superior. Os argumentos contrários a essa reserva são inúmeros, todos caíveis, ainda mais se a questão é abordada de maneira simplista e maniqueísta do contra ou a favor a cotas, como em geral ocorre. Os opositores a cotas balbuciam que: a solução é a melhoria da educação pública (em especial a base ensino Fundamental e Médio); as cotas são inconstitucionais, ferem a meritocracia (o principio do Mérito) e geram Discriminação (como senão houvesse!) e os estudantes beneficiados pela reserva terão rendimento baixo/insuficiente e com efeito a qualidades das Universidades cairá!SóTerrorista, ou melhor dizendo, Branco Ressentido!Como profere a ministra da Secretaria Especial de PolíticasPúblicas de Promoção da Igualdade Racial, Matilde Ribeiro: “É melhor ter brancos ressentidos do que não ter negros na Universidade”.

 

A grande parte (posso até dizer a maioria esmagadora-não resistir ao pleonasmo) das instituições de ensino aderiram. Claro que os investimentos na Educação são cruciais, por mais ignorante que seja uma pessoa ela sabe dessa Máxima. Só que a melhoria da Educação básica é um projeto ao longo prazo, se fosse um país sério, colocaria médio! E a curto ?! As cotas! Não tem saída! Não adianta a alegação clichê da tal Inconstitucionalidade da reserva de vagas. Artur Salles Lisboa de Oliveira, no seu texto sobre cotas nada crítico no site raciociniocritico.com, fala cinicamente que esse sistema rasga a constituição. Argumento torpe típico de quem desconhece a Carta Magna ou/e não sabe interpretá-la. Usar deforma estanque o principio da Igualdade no Brazil é ser muito ingênuo e idiota! O que não rasga a Constituição ? O proprio salário mínimo e a remuneração do negro no mercado de trabalho rasgam.Enfim, A constituição se rasga ou a rasgam. De modo que ela é rasgada!!

 

A celeuma maior não é cotas em si, para estudantes egressos da escola pública, e sim para negros. Ou seja, há um aparente consenso no primeirocaso, e no segundo, a polêmica. A controvérsia continua pois a UFMA reservou 50% das vagas: 25% destinadas a candidatos do ensino público e, a outra metade para negros indepedente de serem da rede pública ou particular de ensino. A priori parece que o aspecto sócio-racial fora dicotomizado. Falei comum participante do Núcleo de Estudantes Afro-Brasileiros (NAEB) acerca dessa suposta dicotomia.Afirmei a ele “Quem precisa de cotas é o negro estudante do ensino público, o da particular não, visto que esse último entraria na universidade sem auxilio de cotas”. Argumentei que mesmo sendo uma minoria da população negra que está na escola privada que não necessita dessa política, não amarrar o critério sócio-econômico ao étnico seria jogar os negros favorecidos contra os desfavorecidos. Quem ganha essa parada ?!

E ele disse que se fosse mesmo verdade que osnegros da rede particular de ensino não necessitassem mesmo de cotas para adentrar na Academia, haveria (mais) negros em Medicina, Odontologia, Engenharia, Psicologia, Arquitetura e Direito (cursos esses em quase não há alunos negros!). Aí ele explicou a razão de cotas para negros indepedente da origem escolar e rebateu para escanteio o meu posicionamento inicial. Onde estão os negros ?! A maioria fora das Universidades e os que dentro delas estão estudam em cursos de licenciaturas, em sua maioria!

 

Outro ponto a definir é quem é negro. O critério adotado pela UFMA é simples e genial, negro é a pessoa com maior probabilidade de discriminaçãoracial por ser negro ( Fenótipo). Isto é, uma branca (fenotipicamente), loira e olhos azuis que afirma ser negra, é negra, só não sofrerá racismo por mais que possua alguém na árvore genealógica negro e por isso não será considerada negra pela comissão do pocesso seletivo da UFMA!A sociedade basea-se em fenótipos, não entende de genótipos, então…

 

A adoção de reservas de vagas na UFMA terá duração de 10 anos com avaliação a cada ano. Os estudantes negros cotistas serão acompanhados pelas diversas Pro-reitorias e pelo próprio NEAB. Este dará apoio pedagógico a esses novos acadêmicos.

 

Mesmo num rol das últimas universidades públicas a colocar em prática as cotas, a UFMA fez seu papel como uma Instituição de Educação Publica em um país em que o ensino superior é privilégio de poucos e de brancos. Segundo site com ciência, 97% dos universitários são brancos. Devidos a fatores históricos, políticos e sócio-econômicos, inclusive de um ensino de base gratuito precário, o quadro é esse. Não que as cotas em si ou por si mesmas resolvam, mas explicitam a problemática, já que a sociedade é hipócrita e vai continuar com seu discurso que esta tudo perfeito, e não está!

 

Liliam Freitas
Pedagogia UEMA
Comunicação Social UFMA

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A Cultura do atraso Big…Brother…Br…

7 Comentários Add your own

  • 1. Jonathas Nascimento  |  janeiro 8, 2007 às 8:24 pm

    Por que o Maranhão sempre está no fim da fila? Mas pelo menos vingou as cotas! Nossa sociedade é adepta do preconceito velado, “não somos racistas”, mas os números de qualquer pesquisa séria sobre a situação social e econômica de nossa população desmente tal falácia. Desde da Lei Aúrea quando tiraram os negros da escravidão para jogá-lós no desemprego, ou subempregos, o processo de Apartheid social e racial teve seu início. Basta olhar para a periferias do Rio de Janeiro, São Paulo, Porto Alegre, São Luís e o escambau a quatro para sentir que
    há algo podre no ar nessa balela de “No Racism”! Brasil quem não te conhece que te compre!

    Responder
  • 2. liliamfreitascs  |  janeiro 10, 2007 às 3:36 pm

    Valeu Historiador!! Pra quem não Conhece Jonathas é Historiador, Pesquisador e Crítico Musical,crítico de Cinema tb… além de outras atividades!!Atualmente escreve resenhas/ críticas sobre O Universo da Music no Jornal O Estado do Maranhão no suplemento Galera!! Deu uma aparecida aqui a pedidos, alías a meu pedido!!Obrigada
    Apareça Sempre
    Beijus

    Responder
  • 3. Gabriel Terra  |  agosto 13, 2007 às 7:42 pm

    Como se na favela ou nos bairros pobres só existissem negros…

    E a reserva de cotas não faz nascer um racismo no Brasil, na verdade faz crescer o que nós já temos. Beneficiar negros que podem nunca ter estudado ao invés de destinar a ajuda aos menos favorecidos que se esforçam pra ser alguém na vida(negro ou branco). Se bem que qualquer medida à curto prazo dificilmente é inteligente. Então façamos como JK, crescendo 50 anos em 5 e nos individando depois. Pôr no mercado de trabalho um pessoal despreparado (supondo que consigam se formar) e sofrer a consequência depois.

    A medida mais correta é o investimento na educação básica. Assim, nos próximos 16 ou 17 anos, teremos verdadeiros estudantes tentando o vestibular, batalhando por uma vida melhor, e não pobres desfavorecidos que acham que estão sendo ajudados.

    Responder
  • 4. liliamfreitascs  |  agosto 14, 2007 às 5:00 pm

    O assunto é polêmico mesmo, não ainda cair no moralismo barato e afirmar que a “medida mais correta é o investimento na educação básica”, visto que é o mesmo que falar para um paciente em estado grave para que ele não tome analgésico ,que ele passe logo pro um cirurgia, mesmo que ele não resista!

    Não disse que na favela ou nos bairros pobres só existissem negros… entretanto são a maioria
    Obrigada Gabriela

    Responder
  • 5. Afonso Scaravelli  |  junho 2, 2008 às 7:34 pm

    É inegável que no nosso lindo país os negros são preteridos, por uma sére de razões, todos que acima expõem suas opiniões estão cobertos de razões, mas gostaria que os meus conterrâneos aí do norte, olhassem para as favelas de Porto Alegre e outras aqui do sul e facilmente perceberiam que a lei deve existir sim. Mas para os pobres de uma maneira geral, porque no nosso querido país êles são de todas as cores. Não vamos aqui querer ficar com um discursinho político sem proveito algum, querendo reparar erros dos nossos queridos portugueses. Ora todos nós depois de uma breve reflexão podemos concluir rapidamente que A Lei Áurea, veio para beneficiar os fazendeiros portugueses e não aos negros ainda escravos. Pois as tais leis do Ventre Livre e do Sexagenário, vinha criando um “onus” aos escravagistas. Sejamos práticos, enquadrar os pobres nestas cotas é muito mais racional meus caros. Desta forma não corremos o risco de erros absurdos, como o vexame como a UNIVERSIDADE DE BRASILIA, teve de assumir após ter admitido um irmão gêmeo pardo e o outro ficou de fora desta políca redentora de cotas.

    Responder
  • 6. liliamfreitascs  |  junho 5, 2008 às 1:39 pm

    Meu querido Afonso Scaravelli a segregação, o apartheid, no Brasil é inegável, o senhor assumi essa proposição, que está na cara de todo mundo. Mas talvez não veja que os negros são as maiores vítimas, não só de um passado e dos portugueses, e é sim também do presente e dos brasileiros.Não é apenas o movimento negro que diz isso, o IBGE e o IPEA.

    Os negros no geral sofrem mais por serem negros e serem pobres, se forem ricos vão ser menos por não serem pobres. Praticamente 96% dos pobres são negros.

    A questão de classe é indissocíavel da raça, não existe uma pessoa multicolor fenotipicamente, estude biologia.

    Não se trata de “um discursinho político sem proveito algum” sem proveito algum, é esse seu discursinho sem argumento, sem base, leia meu caro, leia mais.

    “Ora todos nós depois de uma breve reflexão podemos concluir rapidamente que A Lei Áurea, veio para beneficiar os fazendeiros portugueses e não aos negros ainda escravos. Pois as tais leis do Ventre Livre e do Sexagenário, vinha criando um “onus” aos escravagistas.” nem todos sabem disso e o Brasil na mãos de brasileiros não fez (quase) nada para um segmento racial majoritário se integrasse a sociedade: políticas públicas em Educação, Sáude, Moradia, Emeprego e Renda.

    Não “sejamos práticos”,sejamos inteligentes.
    Erros faezm parte da História.Não foi um vexame, creio que tenha que ler mais coisa, fora da imprensa marron, para ter mais reflexão.

    Responder
  • 7. Patricio  |  junho 20, 2008 às 4:29 pm

    kkkkmancsbkfbnmx

    Responder

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