Archive for dezembro 30, 2008
Eu amo o trema
Liliam Freitas
Não é apenas uma frase, é uma verdade, aliás, a minha verdade. Uma constatação recente de um amor antigo que remonta a minha adolescência. O trema não é um garoto bonito, engraçado, que gosta de ir ao cinema, que admite gostar de novelas e que ama e escreve sonetos.
O Trema é um sinal ortográfico composto por dois pontos um ao lado do outro que ficam sobrepostos a uma vogal para sinalizar que ela forma ditongo (grupo de dois fonemas vogais proferidos numa só sílaba) com a que lhe está mais próxima. Ou melhor, sinal usado sobre o u sonoro e átono de gue, gui, que e qui. Desde a escola diziam que ele estava com os dias contados. Eu ignorava. Havia gente que nem usava e argumentava que não mais se utilizava. Parecia que cheirava passado. Eu gostava e gosto desse passado. Sempre usei sem problema e o farei até quando puder.
Com as novas regras na Língua Portuguesa que representam apenas 0,5% da ortografia do idioma, o trema é abolido. São 0,5% mas numa língua é muita coisa. Tadinho do trema. Nós temos quatro anos para se adequar as elas e eu para usar e abusar do trema.
Pasquale Cipro Neto, ontem em entrevista no Jornal nacional, falou que a abolição do trema não muda a pronúncia. Ainda bem! E disse mais: “A língua é uma coisa, a ortografia é outra. É só uma reforma ortográfica. Reforma na maneira de grafar as palavras.” (Será que ele se rendeu a Lingüística?!). Então a partir de 1º de Janeiro do ano que vem, não se escreve mais lingüiça e tranqüilo, e sim linguiça e tranquilo. A ortografia muda e a pronúncia continua a mesma, pelo menos a minha. Ah, fica de lembrança o trema no teclado do meu computador. Possivelmente, os novos teclados virão sem ele, e o meu se tornará peça de museu. Escrevi nesse parágrafo lingüiça e tranqüilo sem trema, o Word tremou as palavras. Será que meu pc assim como e nutre um amor pelo trema?!
Há certas críticas a essas mudanças, umas elogiosas e outras nem tanto, umas condenatórias. O objetivo de tentar unificar o idioma é lindo. No continente americano, apenas os brasileiros falam português, nos sentimos só. Agora não mais. Particularmente leio de vez em quando (tenho que ler mais) escritores portugueses, e não sinto dificuldades com português de Portugal , eu entendo, não há barreira intransponível. Se for para falar em barreira, a ortográfica é a menor, e a semântica a maior. Antes do acordo, o certo era anti-social, agora é antissocial. Se lesse essa segunda palavra apreenderia o sentido. Para que a mudança então? Se consegue uma certa uniformidade só e somente só.
Pense nessa construção “Pica no cu”. E nessa “No geral, as pessoas já tomaram pica no cu, inclusive você”. Têm idéia, do que falo? Agora idéia ficará sem acento. Traduzindo de Portugal para o Brasil “Pica no cu = Injeção na bunda/bumbum/nádegas”, isto é, “no geral as pessoas já tomaram injeção na bunda”. Oh a discrepância! Aqui o sentido é outro, prefiro nem comentar! E a punheta lá é nome de comida (que me parece deliciosa). “Eu quero uma punheta” aqui soa bem estranho, mas quando chegar em Portugal… Eu vou comer uma punheta, claro.
O show de Zeca Baleiro em São Luís

Liliam Freitas
Para os que gostam de musica em São Luís, 2008 foi próspero. As bandinhas de forró continuaram aqui e estarão sempre. Por outro lado, lado b, Ivan Lins, André Mehmari, Chico César, Guilherme Arantes, Teatro Mágico, Vander Lee, Flávia Bittencourt, 14 Bis, Elza Soares, dentre outros, aterrissaram na terrinha de cá. Madonna não veio, mas tudo bem!
No último sábado, um cara que não é santo encheu a casa, a batuque brasil. Ele, Zeca Baleiro na turnê de divulgação do seu novo trabalho, álbum o Coração do Homem-Bomba muito bem acompanhado pela banda Os Bombásticos. Os Músicos Bombásticos são: Tuco Marcondes – guitarras, violões e vocais; Fernando Nunes – baixo e vocais; Pedro Cunha – teclados, acordeon e vocais; Kuki Stolarski – bateria e percussão; Hugo Hori – sax, flauta e vocais; Tiquinho – trombone; e Hombre Cerutto – trompete.
O show teve abertura do cantor também maranhense Nosly, compositor e violonista, antigo parceiro de Baleiro. Depois a estrela a noite. Zeca apresentou as músicas e as velhas, as antigas em novos arranjos. Eis o artista que estuda, pesquisa e faz seu dever de casa. Ele contagiou o público com seu novo show, que desfila skas, sambas-funks, reggaetons, rocks e boleros, além de criativas releituras de canções já consagradas pelo público. As pequenas surpresas sonoras, um figurino maravilhoso (assinado por Camila Motoryn), além das qualidades do som (na ilha isso é uma proeza) e da iluminação fizeram parte do espetáculo.
Sempre falo que é no palco que o público conhece o artista. Não tem play back nem tecnologia para ajeita ou afinar a voz dos desafinados. É o público com o artista ou/ e o artista com seu público. O resultado pode ser bom. No caso do Zeca Baleiro, foi super bom. Ele de volta a São Luís. O show tinha sido adiado, até então para data não estabelecida, ficou para o dia 27 do derradeiro mês do ano. Pode se falar em um desejo, talvez sonho adiado, mas realizado. Ainda bem!
O repertório do show estava na boca da galera. Impressionante! Crianças, adolescentes, os universitários, os pais, as mães e os avós. Virou programa de família, da galera da faculdade ou do trabalho, o mesmo de gente que foi só, eu iria.
Fiquei surpresa com o preço do ingresso na mão de cambista. Ingresso na bagatela de R$ 20,00. Impossível entender. Se deixasse para compra na hora, iria levar cinqüetinha para garantir.
ÁLBUM CORAÇÃO DO HOMEM-BOMBA
“O Coração do Homem-Bomba”, novo projeto de Zeca Baleiro, está sendo lançado em dois momentos – o volume 1 saiu em agosto e o 2 acaba de chegar nas lojas. Desde setembro é possível fazer o download gratuito de três canções inéditas, que estão no volume 2, baixando as músicas ‘Tacape’, ‘Débora’ e ‘Como diria Odair’ no site do artista (www.zecabaleiro.com.br), a exemplo do que já foi feito com “Toca Raul”, incluída no volume 1 e lançada primeiro no site (disponível para download desde dezembro do ano passado). A produção dos cds é do próprio Baleiro, em parceria com sua banda, “Os Bombásticos”, e com o engenheiro de som Evaldo Luna. O lançamento é da MZA Music.
Só a cerveja que não ajuda. A bebida vendida lá não é gelada, ela oscila de fria para quente. E há o monopólio de uma marca de cerveja que tem aprovação da maioria. Até aí tudo bem, mas fria para quente pode ser a melhor marca. As pessoas reclamam mas compram. Ou seja, vendem, sem vendem não interessa se é quente. Eu é que não compro, os outros poderiam fazer o mesmo. Uma espécie de protesto e exigência de um serviço de qualidade.
Toca Raul, então! Ah, ele tocou, a galera pediu!

Apenas sexo: mulheres imaturas e homens mais resolvidos

cartaz do filme
Liliam Freitas
Há muitas comédias românticas no mercado. Apenas Sexo (Stricty sexual) é mais uma. É um título que talvez possa ser entendido como filme pornô, mas não o é. Entretanto apenas sexo não é romântico, talvez nem comédia.
Assim caminha o longa aparentemente nessa incoerência. Duas mulheres de relativo sucesso em Los Angeles cansadas de chateações dos relacionamentos resolvem procurar apenas sexo. Homens gostosos que façam um servicinho e resolvam seus problemas, pelo menos sexuais. Elas pagam. Encontram dois bonitões que aceitam ficar com elas sem saber que aquilo era um programa.
Eles acabam indo morar na casa delas. Duas mulheres problemáticas, imaturas e homens mais resolvidos. No geral, os filmes mostram o contrário. Ponto para o filme. Nessa de sexo para cá, sexo para lá, nascem o desejo e sentimento que perpassam o sexo, vai além. O sexo não é mais suficiente.
Algumas cenas hilárias, poucas. A menina que não sabia beijar, não era realizada na cama, o orgasmo então era uma abstração. A realidade dela muda radicalmente com a presença de um homem, companheiro.