Archive for dezembro 15, 2008
Apenas Uma vez é um filme singelo e surpreendente

Cartaz do filme
Liliam Freitas
Apenas Uma Vez (Once, título original) estreou meados de abril em solo brasileiro. Uma película que ganhou o Oscar de melhor canção 2008 e melhor filme estrangeiro no Independent Spirit Award. Um longa roteirizado e dirigido pelo cineasta irlandês John Carney. Uma produção cinematrófica caseira, simples, barata ao mesmo tempo singela, terna, poética e musical.
A narrativa traz dois grandes personagens que se encontram. Um talentoso músico que aproveita as horas vagas do trabalho, na loja de conserto de aspirador de pó, para ganhar um dinheirinho cantando com seu violão no centro comercial de Dublin. E ela, uma vendedora de flores que circula também pelas ruas do centro para sustentar sua família.
Na ocasião, ele está cantando Say It Me Now, com acordes forte que trata da solidão e da sua decepção amorosa. Atenta à canção ela se aproxima, pergunta se a canção é dele. Ele fala que sim. A jovem imigrante tcheca interroga por que durante o dia ele canta outras músicas. Ele responde dizendo que as pessoas preferem musicas conhecidas, sucessos. Depois ela pergunta pela musa inspiradora da música. Ele diz que não há. Vão conversando.
Ela, no dia seguinte, leva o aspirador de pó para ele consertar. Almoçam juntos, depois entram em uma loja de instrumentos musicais em que ela toca piano todos os dias, visto que não possui um em casa. Ela começa, depois ele a acompanha com seu violão. Logo, os dois também cantam juntos. É apoteótico!
Eis um filme não tão conhecido. Nem ele nem o diretor. Talvez a surpresa esteja aí. O filme de Carney surpreende, não é em vão que ele é elogiado pela critica especializada. Estava em uma banca de DVD’s alternativos à procura de boa opção para levar para casa. Vi o DVD do filme, mas não lembrava de ter lido nada sobre ele. O título e a capa do filme me chamaram a atenção. Li a sinopse e resolvi comprar.
Depois do exercício da universidade, coloquei o filme pra ver. Às 3h30min da manhã, ou madrugada, havia terminado de assistir. O filme não é longo, são apenas 86 minutos, é que comecei a assistir tarde. Durante o filme, a vontade de aumentar o som é grande para ouvir as musicas. São dez canções ao todo que realmente fazem parte da narrativa (incluso a parte de créditos finais em que toca Once, que dá nome ao filme). Quando acabou, pensei em colocar o filme de manhã cedo para pelos menos ouvir musica.
Então assistir mais uma vez, já era impossível apenas uma vez, rs. E aí vem a vontade de escrever sobre o filme que tem uma história bacana e bem contada, numa linguagem simples sem artificialismo. Procurei como de costumes textos acerca do filme para ver de que modo o longa era captado e criticado. As críticas e comentários são favoráveis. Há alguns discordantes que colocam o filme como ruim e péssimo, mas não fundamentam o julgamento. Bem longe de ser ruim, Apenas Uma Vez não é produção de Hollywood muito menos mais uma comédia romântica com final previsível. Talvez esteja aí a frustração de muitos.
É preciso ter sensibilidade para se fazer certas leituras, para se enxergar. Daniel Levi, crítico do jornal O Globo, mostra que tem. Segundo ele, o filme poderia ser classificado como drama romântico musical, se este gênero existisse, ressalta o moço. Oh o convite, um longa que mescla drama, romantismo e música! Uma combinação e tanto. Se ficou confuso(a), o crítico simplifica e fala que pode classificar como “filme fofo”! (Como assim filme fofo!? Alguns devem está se perguntando! Pra mim que vi o filme não é difícil. Deve ser aquele redondinho, comovente, que toca, emociona e é inteligente. Isso deve ser fofo! Não tenho a menor dúvida). É assim com Apenas Uma Vez.
É preciso mais do que uma simples opinião para discutir
Liliam Freitas
No geral, as pessoas acham que podem dissertar sobre tudo, inclusive sobre assuntos que não têm leitura. Leram no jornal, viram na televisão e pronto já têm know-how. Muitas vezes, possuem apenas uma opinião não balizada nem aprofundada. Nesse caso, é melhor nem tentar evocar uma discussão. Geralmente eu digo que li e peço que os colegas façam o mesmo. Parece arrogante, mas não é.
Na última sexta feira, em uma mesa de bar, veio um assunto que 99% dos brasileiros acreditam que conhecem, quando na verdade dispõem apenas de uma opinião, como de costume não fundamentada. O tema as cotas para negros. Vêm o achismo e os velhos “argumentos” de quem não leu nada, tem apenas opinião. Ai começa, “negro não é incapaz” (Eu digo: o viés não é esse), “a questão é social, não é racial” (não se separa um do outro. Cadê a Antropologia e Ciências Sociais. Socorro, estava com colegas do Jornalismo, cruzes…), “deixa se ser besta negro rico não sofre preconceito” (que autor escreveu isso e se sustenta em que?), “não tenho a ver com a escravidão” (diz uma amiga negra na discussão! É coisa do passado! Contraditório. ). E surgem mais disparates.
Sempre digo que a questão não pode ser reduzida a ser contra ou a favor, isso é reducionismo. É premente saber por que as cotas foram adotadas no Brasil. Não é esmola. As cotas em si não resolvem, qualquer um sabe disso, no entanto, colocam a problemática para a sociedade para que políticas sociais cheguem ao segmento negro. No Brasil, a população negra tem os piores índices sociais: educação, moradia, saúde e etc. E as colegas ainda falam em capacidade, fala sério! É uma cegueira social. No banheiro, como não dava para discutir com quem não saiu de um péssimo senso comum, disse: “As universidades já adotaram independente da opinião de vocês. Fazer o que?” ironizei.
A grande lição é que não converso mais cotas ou outro assunto com que não sabe, indicarei livros, autores. E peço para depois discutir. Lembrei de um colega da Academia que falou que era contra, foi ao seminário, teve mais conhecimento e agora é a favor. Não vivemos no paraíso em que todos são iguais e desfrutam das mesmas oportunidades. A maioria dos negros está nas piores. Gostaria de ser contra as cotas, na verdade sou contra a situação que nos leva as elas!
Acadêmica do curso de Pedagogia e Jornalismo, respectivamente das Universidades Estadual e Federal do Maranhão
Diploma ao Vasco!

Diploma de Rebaixado
Vasco da Gama foi o primeiro clube brasileiro a aceitar que negros e operários jogassem no seu time. Um clube já centenário. Mais um gigante que desce para a segundona. Viva o futebol!
Em cima, o diploma. Esse momento não pode passar em branco!